Cherry @ 11:36

Sex, 10/09/10

Estou naqueles dias em que me apetecia fugir para a outra ponta do mundo, isolar-me, adormecer e sonhar que tudo era diferente - que tu estavas aqui, que a faculdade já tinha começado e que a R não se tinha ido embora de lá, que a B tinha acordado para a vida, que a carta estava feita e que eu já andava de carro na mão. E o melhor? O melhor era acordar e perceber que tudo o que tinha sonhado afinal era real. Isso sim!

 

Odiei o facto de perceber que foste a minha primeira prioridade de sonhos, odiei e odeio - juro.

 

Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que o meu amor nunca saiba que um dia eu chorei por ele - Paulo Coelho



Cherry @ 15:50

Sab, 21/08/10

A história de amor dos meus pais foi linda. Eles tinham uma paixão invejável. Sabe, na altura não era muito costume uma mulher branca casar com um homem de raça negra, mas mesmo assim eles ficaram juntos. A minha mãe tinha ido para Luanda com o seu irmão mais velho e lá conheceu então o meu pai, num baile. Passado quatro meses casaram-se, e tiveram seis filhos. Hoje o meu pai já morreu e eu vivo com a minha mãe, nunca casei nem tive filhos, mas considero os meus sobrinhos como tal. A verdade é que não é agora com sessenta anos que vou arranjar alguém. O amor deles foi a prova e a grande experiência, para todos os que viviamos lá em casa, de que ainda há amores para sempre. Ele fazia tudo por ela, eram per(feitos) um para o outro.

 

Uma mulher entrou na loja (em que estou a trabalhar agora, durante uns dias) à procura de uma compota. Conversa puxa conversa e em pouco mais de meia hora esse mulher passou de uma estranha à Helena. Contou-me esta história, entre outras, e percebi a cultura e a sabedoria que a envolvia - era professora e tinha vindo, devido ao estalar da guerra, para Portugal. Enquanto me contava a história dos pais imaginei cada promenor, tal como ela os descrevia. Achei amorosa a Helena, achei amorosa a maneira como ela entrou na minha vida, achei amorosa a maneira como me mostrou que amores para sempre, ainda existem.

 

Se não mudarmos a nossa direcção, acabaremos por chegar aonde vamos - Jodi Picoult